Essa Peregrinação nasceu no coração do Pr. Carlos Pinheiro Queiroz que desejando reviver um pouco das viagens missionárias do seu pai Pr João Vicente de Queiroz no sertão do Rio Grande do Norte Onde iniciou seu ministério. A partir de 2006 um grupo de amigos e irmãos em Cristo de várias denominações inclusive irmãos católicos toparam fazer uma primeira Peregrinação. Notamos que a peregrinação tem um efeito muito profundo nas vidas de quem participa ,pois as reflexões durante a caminhada, o contato com Deus ,a natureza e com as pessoas que caminham e as que encontramos pelo caminho nos faz um bem tremendo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Roteiro da Peregrinação – 18/07/11 a 23/07/11


Escrito pelo Pr.Boanerges
Saí de Recife dia 17 de Julho de 2011 às 19:30h, tivemos um imprevisto, chegamos em Mossoró às 18:00h do dia 18 (5 horas de atraso). Saímos de ônibus às 9:00h para Jucurí (1 hora de Mossoró), chegamos às 10:00h numa associação parceira da Visão Mundial. Outros vieram de Fortaleza, de Belo Horizonte, de Mossoró, de Natal.
1º DIA - Tivemos um tempo muito bom com a comunidade, conhecendo o trabalho desenvolvido pela organização em Jucuri parceira da  Visão Mundial, principalmente com as crianças, que apresentaram um pouco do que têm aprendido e o poeta de cordel chamado Nildo da Pedra Branca, que nos encantaram com seus talentos.
Alguém lembrou-nos de uma frase que estava escrita na parede no ano passado: “Não é nas palavras que os homens e as mulheres se falam, mas na ação, no silêncio e na reflexão”. (Paulo Freire).
Almoçamos nessa associação e saímos às 14:30h, começando a peregrinação. Fomos para Fazenda Nova (andamos 13Km). Chegamos às 18:00h na casa da irmã Vanir e Valter, pés cansados, mas bastante satisfeitos. Jantamos uma deliciosa sopa e depois nos sentamos no terraço do casarão para louvar, refletir na peregrinação contemplando a linda lua que clareava o céu naquela noite escura. Refletimos rapidamente o texto de Mateus 28:16-20, onde os discípulos recebem um recado de Jesus que deveriam caminhar (fazer uma peregrinação) de Jerusalém até a Galiléia, indo para o monte (cerca de 145km), onde iriam se encontrar com Ele. Nossa reunião terminou no terreiro na frente da casa pois fizemos esse momento para contemplar a lua que estava magnífica.
2º DIA - Saímos dia 19, da Fazenda Nova às 5:30h, andamos 9km; chegamos em Baixa do Algodão na casa de Dona Mariquinha às 7:30h, onde tomamos um delicioso café da manhã.  Voltamos à peregrinação às 8:55h.  Andamos 8km até chegar às 10:40h em Mulungú (tive que ser rebocado por cerca de 3Km). Almoçamos, descansamos um pouco no bar do Capitão e voltamos à peregrinação ás 14:50h. Andamos 14km e Chegamos em Poço de Tilon às 17:15h na casa de Socorro. Cheguei quase ao limite, devido a duas bolhas nos pés; superei as dores durante a peregrinação.  À noite, o Carlos trouxe a meditação no Salmo 23.
3º DIA - Acordamos no dia 20 às 5:20h. O Carlos trouxe a meditação no Salmo 103 nos levando a perguntarmos durante a peregrinação daquela manhã: O que temos para bendizer ao Senhor? Andamos 9km, chegamos às 7:40h na cidade Felipe Guerra na casa do Pr. Maildson, onde desfrutamos de um delicioso café da manhã, o Carlos voltou a mencionar o Salmo 103 e voltamos para a peregrinação às 9:10h.  Saímos rumo ao vale, trocamos o asfalto pela estrada de barro. Andamos 9km, chegamos em Paulista às 11:45h na casa do Pr. Jeová. Almoçamos e descansamos; esperamos o sol baixar um pouco, estava muito quente.  Saímos às 15:10h, andamos cerca de 4km, chegamos em Apanha peixe às 16:00h onde fomos acolhidos na casa de irmão Jonas e Leonia, são os pais de Leoneide uma das peregrinas.
4º DIA – Acordamos no dia 21 às 5:20h e saímos às 5:50h. Andamos 8km até Sororoca. Meditamos no texto de Jeremias (“Quero trazer à memória aquilo que me traz esperança”), e a pergunta que Carlos nos fez para meditarmos durante a peregrinação daquela manhã foi: O que me traz esperança?  Chegamos em Sororoca às 7:40h. Tomamos café e voltamos à peregrinação às 9:00h. Andamos 12km, chegamos em Barragem de Santa Cruz às 11:00h, (semi-mortos). Fomos até a casa da poeta (francina e seu esposo Raimundo). Francina nos contou como voltou a estudar depois dos 60 anos. Fez pedagogia e se tornou uma referência em sua comunidade. Fiz um verso para ela que diz o seguinte: “Francina, a senhora sempre ficará na memória de todo aquele que aqui passar. A senhora é inspiração para todos que amam a vida e que muito tem pra dar. Que a graça de Jesus, Aquele que a todos nós conduz, seja com você e com aqueles que estão próximos do teu saber”. (Bona)
Almoçamos em frente a Barragem de Santa Cruz (visitamos a barragem e vimos toda a vista em volta; a cidade de Martins, de Apodi e outras.  Saímos às 16:30, voltando para Mossoró nos carros de apoio.  Chegamos em Mossoró  às 18:00h, ficamos no prédio da igreja de Cristo.
5º DIA – Voltamos à peregrinação, dia 22 às 9:00h. Nos encontramos com um pessoal amoroso da comunidade de Cordão de Sombra. Fomos de Pau de Arara alguns Km depois voltamos a estrada de barro com bastante poeira, pedras e lamas. Andamos 8km, às 10:50 chegamos em Cordão de Sombra, lá almoçamos e descansamos na casa de Zilda e Chichico. Saímos às 14:30h, andamos 8 km, chegamos a Trapiá na casa de Davina e Mike  às 16:30h. Em Trapiá terminou nossa peregrinação, dormimos lá.
6º DIA - Passamos o sábado (dia 23) com a comunidade e o casal de missionários Maike e Davinna. Participamos da comemoração de 25 anos de casados do casal e dos 8 anos da fundação da igreja naquele lugar. Visitamos o apiário, formado pelos missionários com a participação da comunidade, o qual tem gerado recurso para a própria comunidade.  Saímos as 21:30 para Mossoró (Rodoviária) e voltamos para Recife as 23:00h. O restante do pessoal, cada um seguiu para o seu lugar.
Fica aqui registrada a peregrinação que pra mim trouxe muitas lições. Lições de simplicidade, de fé, de milagres, de superação de dor e de limites, de hospitalidade, de esperança, de compartilhar e de pastorear, de voltar os olhos para a realidade da criação de Deus que muitas vezes fica ofuscada pela correria da cidade e o ativismo desenfreado. Fica a lição que os pássaros ainda cantam, as árvores ainda gotejam, o mandacaru ainda floresce no sertão, o céu ainda encanta a cada manhã com o nascer do sol e a cada final de tarde com o ocaso... Que ainda existe a poesia, que ainda existe a zabumba e o violão, que ainda existe gente que se importa com gente na terra de lampião, que ainda há esperança para a seca do sertão, que ainda tem muita gente que precisa ouvir da salvação, que ainda há muito chão pra ser percorrido e muita coisa pra ser aprendida em outras peregrinações.
Diário de um peregrino, 
                                                                                               Bona

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